RPG na escola: por onde começar?
Por Carlos Klimick
Educadores por todo o Brasil
estão interessados em aplicar o RPG ao ensino, mas se encontram em dúvidas sobre
como fazê-lo. Portanto, seguem aqui algumas dicas do método que utilizo em meu
trabalho, espero que sejam úteis.
Que tal começar criando aventuras a
partir de temas da atualidade, envolvendo o conteúdo didático? Trata-se de um
bom recurso para captar o interesse dos alunos. Nesse caso, o importante é
buscar um assunto em destaque, correlacioná-lo com o conteúdo disciplinar e
planejar a história ou aventura: a linha central de trama, desafios, personagens
com as quais os jogadores interagirão, etc.
Exemplos
- Copa do Mundo e
História
Nossos alunos são viajantes no tempo, que querem impedir
que a Taça ganha pelo Brasil na Copa de 1970 seja derretida. Eles viajam no
tempo até a Segunda Guerra Mundial, quando nazistas tentaram pegar a Taça, para
colocar um localizador nela e recuperá-la no ano que ela foi derretida (evitando
assim mudar a História). O momento histórico da Segunda Guerra pode ser abordado
nessa etapa. Na sessão seguinte eles viajam até 1950 para impedir que um
viajante renegado roube a taça. O impacto da final da Copa de 50, a importância
cultural para o Brasil da Copa do Mundo e o questionamento dessa importância
podem entrar aí.
- Drogas e Geografia
Humana
Um amigo do grupo é preso como traficante de drogas e
deverá ir a julgamento. Enquanto buscam provar a inocência dele, descobrem que
na verdade ele era usuário regular e estava fazendo um serviço de entrega para
pagar o vício. Criar situações que representem indagações como: Por que ele se
viciou? Como lidar com a dívida dele? Será que ele não viu que estava arruinando
a própria vida? O quanto de dinheiro é movimentado pela droga? Por que o tráfico
domina as favelas?
Pontos importantes a
considerar
1) Como planejar a
atividade?
Tenha seus objetivos bem claros em mente. Uma série de
sessões de RPG que tenham por meta trabalhar socialização, responsabilidade,
ética e levantar um perfil psicológico dos alunos tem um formato diferente de
uma que tenha por objetivo tornar o conteúdo de História mais atraente e
auxiliar na sua fixação.
2) A participação será
voluntária ou obrigatória?
O RPG é normalmente uma atividade
voluntária. Se for obrigatória será necessário muito jogo de cintura por parte
do narrador ou mestre para motivar a todos. O ideal talvez seja passar outra
atividade para os alunos que se recusem a participar. Também deve-se evitar que
eles fiquem atrapalhando os que querem participar com comentários, brincadeiras,
etc.
3) O jogo de RPG deve ocorrer em período de aula
ou extra-classe?
Isso é importante para o planejamento. Sempre é
importante ter um bom relacionamento e sincronia com o/s professor/es cujas
matérias serão abordadas nas sessões de RPG. O RPG permite o uso da
interdisciplinaridade, uma mesma história pode ter elemantos de Historia,
Geografia, Biologia etc.
4) Quantos jogadores por
mestre?
Se a atividade for feita com mestres, ou narradores,
"presentes", cada mestre deverá ficar com no máximo oito alunos. Se for
necessário, divida a turma em grupos e treine alunos para serem "mestres
assistentes". Se a aventura for interdisciplinar e houver possibilidade, cada
professor poderá pegar um grupo.
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Carlos Eduardo Klimick Pereira é formado em Administração e mestrando em
Design(pesquisa em Design Educacional) pela PUC-Rio. Autor e profissional de
RPG desde 1992, trabalha com RPG aplicado à educação há mais de 4
anos