Pesquisadores combatem relação do RPG com violência
Desde o
surgimento do RPG, nos anos 70, que o jogo é, algumas vezes, associado à
violência. Assim como os videogames, o RPG é acusado de levar os jogadores a
confundir realidade com ficção, levando os participantes a cometerem atos
bizarros inspirados em seus personagens. Um exemplo desse tipo de associação
ocorreu recentemente no Brasil, na cidade de Ouro Preto (MG), com o assassinato
de uma estudante que teria participado de uma partida de RPG momentos antes de
sua morte. Embora sem comprovação, o caso levantou essa polêmica e ganhou
repercussão nacional, com argumentos de que o jogo deveria ser proibido, pois
poderia exercer influências perigosas sobre crianças e
adolescentes.
Essas associações são combatidas pelos pesquisadores que já
defenderam tese sobre o jogo. "É leviano associar o RPG a atos violentos. A
violência resulta de uma combinação de fatores: um contexto de desrespeito à
vida humana, perturbações mentais, tribos de excluídos sociais ou auto-exclusão
psicológica e, não raro, por causa do uso de drogas. Se uma ou mais pessoas,
vivendo esta realidade doentia, pega a ópera 'Turandot' como inspiração para
torturar alguém, a culpa é da ópera? Se um casal de adolescentes resolve se
suicidar porque os pais não querem que eles casem, Shakespeare é o culpado?",
pergunta a escritora Sonia Rodrigues, que defendeu a tese de doutorado
"Roleplaying Game; A Ficção enquanto Jogo", na PUC-RJ, em 1997.
A
educadora Kazuko Kojima Higuchi, mestre em Teoria Literária e Literatura
Comparada pela USP que integrou uma equipe multidisciplinar de pesquisadores
formada pela USP e Unicamp para investigar o uso da mídia na escola, entre elas,
o RPG, também não vê nenhuma relação direta entre jogos de RPG e atos de
violência. "O RPG é um recurso muito valioso. Nós não podemos deixar a mídia
estragar essa ferramenta com notícias tendenciosas". Kazuko também aponta a
necessidade de a escola ousar, valendo-se de outros textos não-escolares para
tornar as aulas mais lúdicas e produtivas. "A sociedade está se modificando, e a
escola não pode ficar de fora. Ela tem de estar sensível às novas demandas. Se o
professor tem receio de usar RPG porque não sabe jogar, é o caso de convidar o
aluno a ensinar e, assim, afinar a ferramenta", afirma.