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Textos e Artigos Por uma cultura de colaboração Jaciara de Sá Carvalho
O principal filósofo da cultura virtual contemporânea, Pierre Lévy, esteve em São Paulo, no último dia 18 de agosto, e participou de um encontro-laboratório com representantes dos Portais EducaRede e Rede Social São Paulo. Sob o tema "Inteligência Coletiva, Interdependência e Projetos Sociais", Lévy respondeu à questões formuladas pelos participantes. De modo geral, elas trataram da importância da colaboração on-line.
Um dos principais desafios da Educação hoje, para Pierre Lévy, não é superar a dificuldade de trabalhar no virtual, mas a de desenvolver uma cultura de colaboração na escola. Aí, tanto faz “estar no presencial ou no virtual”. “As escolas devem ajudar as pessoas a avaliar e reconhecer o conhecimento que está nos outros. Talvez a escola deva ser o lugar onde se aprende a gerir conhecimento e a produzi-lo coletivamente”, acredita Lévy, também professor da Universidade de Ottawa e diretor do Research Chair of Collective Intelligence, ambos no Canadá. “A tarefa do educador vai se tornar cada vez mais complexa: como ajudar o aluno a arquitetar o conhecimento?” Mas o filósofo sabe que o processo é lento: “Não podemos impor uma nova cultura. Ela precisa crescer naturalmente. É um processo demorado... Esse trabalho do EducaRede já tratávamos há quinze anos”. Mas ainda hoje o ensino brasileiro, por vários motivos, não incorporou a rede mundial de computadores em suas atividades. Por isso, o Programa EducaRede incentiva, em vários países, o uso pedagógico da Internet por meio de diversas ações. Atualmente, no Brasil, o Programa desenvolve projetos por meio de Comunidades Virtuais de Aprendizagem, em parcerias com secretarias estaduais e municipais de Educação.
As declarações de Pierre Lévy confirmam o trabalho desenvolvido pelo EducaRede em torno das Comunidades Virtuais, “um fenômeno vivo”, que precisa de "líderes sociais", que cresce com o tempo e cuja “essência são os objetivos comuns”. “Não há comunidade sem identidade e esta sem memória coletiva. Cada membro de uma comunidade cultiva o que é comum a todos”, diz o filósofo, que completa “quanto mais as pessoas dão, melhor é o que se retira de volta”. Lévy explica que “as Comunidades Virtuais são feitas pelas pessoas”, mas, nem por isso, pode-se dispensar a presença do mediador naquelas cujo objetivo é o desenvolvimento de aprendizagens. “Não acredito que haja uma pura espontaneidade em aprendizagens escolares. Ela precisa ser organizada. As únicas redes que funcionam sem mediador são as de entretenimento”. Para as redes sociais, o desafio seria administrar o conhecimento visando “ajudar as pessoas que pertencem à mesma comunidade a encontrarem a informação que precisam no momento em que a ação exige essa informação, ou ajudar a encontrar as pessoas que têm essa informação. Colocar o conhecimento num formato que possa ser usado por outros, de forma pública”, defende o filósofo. Mas tendo-se o cuidado de não disponibilizar informações que já existem. “Obviamente todas as instituições que têm os mesmos objetivos têm que colaborar entre si ou só teremos redundância nas informações. Não estamos mais numa época de bibliotecas, quando você precisava ter os mesmos livros em várias bibliotecas (físicas)”.
Autor de conceitos como “Inteligência Coletiva”, “Tecnodemocracia” e “Metaevolução”, Pierre Lévy divide a humanidade em antes e depois do advento da Internet e afirma que essa nova sociedade usará o aprendizado cooperativo e a Inteligência Coletiva como formas de organização. O filósofo tem atuado em diversos países, junto a governos, empresas e instituições prestando consultoria no campo da Inteligência Coletiva e cibertura, com larga experiência a respeito das mais diversas iniciativas de trabalho cooperativo, através das redes virtuais. Atualmente, ele trabalha no desenvolvimento de uma linguagem que possa ser reconhecida por qualquer computador, ultrapassando, assim a barreira das línguas naturais – a Web Semântica. A iniciativa do encontro foi do Laboratório de Inteligência Coletiva (Linc) e da Fundação Vanzolini, com apoio do Banco Real ABN Amro, da Fundação Telefônica e do Instituto Migliori.
22/11/2007
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