14/07/2009
     

 

Como funcionam as histórias em quadrinhos

 
 


 





Super-heróis como Batman, Homem de Ferro, Super-Homem e os X-Men hoje em dia são estrelas de superproduções do cinema, mas todos eles vêm do mesmo berço - as histórias em quadrinhos, também chamadas de HQs. E a vida deles não era uma história de Hollywood, porque os quadrinhos foram por muitos anos vistos com um certo desdém.

Foi no fim do século 19 que surgiram os primeiros quadrinhos. Logo passaram a ter lugar em jornais, que usavam charges de cunho político e tirinhas como “Os Sobrinhos do Capitão”. A primeira revista de quadrinhos (ou gibi) com histórias completas é de 1933 – a norte-americana “Funnies on Parade”. A partir daí veio um série de personagens inesquecíveis, como “Asterix”, “O Gato Félix”, “Buck Rogers”, “Hulk”. Entre os criadores, verdadeiros gênios, como Al Capp, Will Eisner, Moebius, Charles Schulz, Stan Lee e o brasileiro Maurício de Souza.

Sucesso de público – tanto faz se de crianças ou de adultos – os quadrinhos não eram aceitos pela crítica, que os considerava algo popular demais para merecer o status de “nona arte”. Foi a arte pop, nos anos 1960, que ajudou a mudar isso. Nos anos 1980, autores como Neil Gaiman e Frank Miller provocaram uma verdadeira revolução na linguagem das HQs, e finalmente elas ganharam a condição de verdadeira arte.

Numa análise sem preconceitos se conclui que o leitor de quadrinhos precisa ter capacidade de interpretação, visual e verbal, equivalente à de quem lê ou assiste a um filme de cinema. O aparente despojamento das HQs esconde uma linguagem sofisticada, com uso de perspectiva e de simetrias. Também a narrativa pode usar recursos que exigem do leitor um esforço para chegar à compreensão – ou imaginação para preencher o que não é explicitado. Will Eisner, um dos gênios dos quadrinhos, disse que "a leitura da revista de quadrinhos é um ato de percepção estética e de esforço intelectual".

 

Os anos 1930 representam o auge da expansão dos quadrinhos, com o lançamento dos gibis e a criação de histórias de aventura, fantasia e ficção científica. É da mesma época o surgimento dos super-heróis, que tornaram os quadrinhos uma das linguagens que mais atraíam jovens. Depois da Segunda Guerra os adolescentes ganharam força como parte de um fenômeno cultural espalhado pelo mundo, e os  quadrinhos foram ganhando espaço. Stan Lee é um dos autores de maior destaque da época, criador de personagens como Homem Aranha, Quarteto Fantástico, Homem de Ferro, Incrível Hulk, X-Men e Surfista Prateado. No Brasil Maurício de Souza despontou nos anos 1950, com os primeiros personagens da “Turma da Mônica”, com enorme sucesso no país e fora dele nos anos seguintes.

Há uma constante renovação tanto da linguagem quanto de autores e personagens de quadrinhos – e a influência das HQs é crescente, como mostram desenhos, filmes e séries de televisão e do cinema. E também nas artes plásticas e no teatro se nota a influência dos quadrinhos, tanto no uso da linguagem quanto de seus personagens.


Para saber mais, leia o artigo do ComoTudoFunciona.


História em quadrinhos é literatura? Veja uma reportagem exibida no programa Entrelinhas, da TV Cultura:

 


 

Assista a um vídeo do ComoTudoFunciona sobre Mangá: