|
"Professor precisa viajar"
Por Paloma Varón
 O professor Nelson Pretto | A apresentação de Nelson Pretto, diretor da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia (Faced – UFBA), na 4ª Educática, foi das mais animadas. Apesar de ter dado "pau" no programa que ele preparou para apresentar ao público, sua palestra deu conta do recado. "Abaixo a idéia de que a tecnologia é mera ferramenta", pregou ele, exemplificando com a nova linguagem criada a partir do uso de e-mails e chats. "As crianças hoje pensam em multitarefas, fazem mil coisas ao mesmo tempo, têm um jeito Alt+Tab de ser", diz ele, referindo-se ao comando utilizado para mudar de tela (geralmente quando o professor se aproxima).
Além de tecnologia, Pretto falou também da importância da inserção social do professor, e de outros temas ligados à prática escolar, como a importância de entrar em contato com outras culturas e outros tipos de conhecimento que não só o científico. "Levamos Mãe Stella de Oxóssi (mãe-de-santo do Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, em Salvador) para dar a aula inaugural da Faced. Pretto fez duros ataques à mercantilização da educação e ao que ele chama de "lógica inexorável do mercado", que é personificado.
Depois do debate, bastante assediado pela imprensa e pelo público, Pretto concedeu uma rápida entrevista exclusiva ao EducaRede:
Como fugir à "lógica inexorável do mercado" na educação? É inexorável para eles. Para mim, não. Eu espero que isso seja aposentado. O mundo já está dando sinais de que essa lógica não é inexorável: o Fórum Social Mundial, a eleição de Lula.
Qual o papel do professor? Sendo parte do sistema, ele tem um grande desafio. Ele vive no sistema e tem que estabelecer a crítica do sistema.
O senhor enviou propostas ligadas à educação para o ministério da Cultura? Eu escrevi uma nota, como representante de uma parcela da sociedade, e encaminhei ao meu amigo Juca Ferreira, que é secretário executivo do ministério, só isso. Acho que o diferencial desse governo é a possibilidade de ouvir a sociedade.
Quais foram as suas propostas? Trata-se de uma articulação entre cultura e educação, entre bibliotecas físicas e digitais e por aí vai. Deve existir uma política educacional do governo Lula e não de um ministério apenas. Para isso, os ministérios da Educação, da Cultura, das Comunicações, da Ciência e Tecnologia e do Turismo devem estar conectados, no mínimo, com ações interligadas.
Por que o ministério do Turismo? Porque o professor precisa vivenciar uma cultura diferenciada, precisa viajar. Isso não é só uma questão de lazer, que é fundamental, mas também de formação e conhecimento que possibilite a ele crescer como professor. Sem falar no aspecto econômico, de estímulo ao turismo interno. Mas é preciso criar mecanismos que dê condições ao professor para viajar. O professor tem de ser um profissional qualificado, valorizado, inserido socialmente, para introduzir na escola uma ambiência que possibilite o acesso aos temas da contemporaneidade.
Como diretor da Faced (UFBA), o senhor desenvolveu uma política de estímulo para que os alunos (futuros professores) freqüentem cinemas e teatros. Como foi isso? Fizemos uma parceria junto a administradores de teatros e cinemas para que eles nos fornecessem uma cota de ingressos, que são distribuídos aos alunos pela Internet. Mas não é só isso. Temos duas disciplinas que fogem ao currículo tradicional: Polêmicas Contemporâneas, na graduação, e U-tópicos contemporâneos, na pós-graduação. O objetivo disso é oferecer um ambiente que possibilite a discussão de temas que fujam das teorias pedagógicas, sem negá-las, porém.
Agora eu gostaria que o senhor indicasse sites que fazem o uso pedagógico da internet. Eu destacaria o da Biblioteca Virtual de Ensino a Distância (www.prossiga.br/edistancia), da UFBA, o da Cidade do Conhecimento (www.cidade.usp.br), da USP, o MultiRio (www.multirio.rj.gov.br), da Prefeitura do Rio, e o do Projeto Amora (http://amora.cap.ufrgs.br), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
|